sábado, 17 de abril de 2010

2º ANO - INTERAÇÕES CULTURAIS


Encontro dos Europeus com os povos da África, Ásia e América



A expansão ultramarina Européia deu início ao processo da Revolução Comercial, que caracterizou os séculos XV, XVI e XVII. Através das Grandes Navegações, pela primeira vez na história, o mundo seria totalmente interligado. Somente então é possível falar-se em uma história em escala mundial.



ASIA
A descoberta de um caminho marítimo para a Ásia intensificou os contatos entre os europeus e alguns povos africanos e asiáticos. Ao conhecer essas sociedades, muitas vezes os europeus se surpreendiam. Em 1510, os portugueses conquistaram a cidade de Goa, na costa oeste da Índia, e aí instalaram uma feitoria (fortificação primitiva onde eram armazenadas e comercializadas mercadorias).



“Estamos convencidos de que somos os homens mais astutos que se pode encontrar, e o povo aqui nos ultrapassa em tudo […] Fazem melhores contas de memória do que nós, e parece que nos são superiores em inúmeras coisas, exceto com a espada na mão, a que eles não conseguem resistir.”



Essa declaração demonstra o sentimento de superioridade dos europeus sendo desfeito pela realidade que encontraram na Ásia do século XVI. Naquela época, as sociedades africanas e asiáticas dominavam muito mais conhecimentos e se organizavam de forma muito mais complexa do que os europeus imaginavam.




Marco Polo (1254-1324). Nascido em Veneza (atual Itália), de família de mercadores, escreveu um livro sobre a viagem que teria feito com o pai e o tio à China.

Segundo o relato, os Polo ali chegaram por volta de 1274 e permaneceram na China por dezessete anos, onde descobriram, entre outras coisas o espaguete e a pólvora. De volta a Veneza em 1295, Marco foi capturado por genoveses e preso junto com um escritor que o ajudou a escrever o livro, que fez sucesso mas que muitos consideraram uma história fictícia e não um relato verdadeiro.


Rota seguida por Marco Polo


CABRAL
Pedro Álvares Cabral fazia parte da tradicional e abastada família portuguesa. Sabe-se que possivelmente nasceu em 1467, no Castelo de Belmonte, em Beira Baixa. Naquele período o comércio terrestre de Portugal passava por um período bastante ruim, fato que o impedia de expandir-se pela Espanha (país inimigo de Portugal). Diante disso, o rei acreditou a que única solução seria o mar.






Portugueses e Índios – o encontro
Os índios foram descritos por Pêro Vaz de Caminha como sendo pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos, bons narizes e bem feitos de corpo.
Estavam inteiramente nus, tinham os beiços inferiores furados e metidos neles pedras verdes ou ossos brancos . Os cabelos eram lisos e tosquiados de tosquia alta. Alguns usavam penas pregadas no cabelo, usando cera para fixá-las. Tinham os corpos tingidos, sendo ornamentados com desenhos, geralmente geométricos. As mulheres, também inteiramente nuas, foram consideradas belas.
Tingiam-se de igual maneira, tinham os cabelos compridos e arrancavam os pelos.
Os homens portavam arcos e flechas.
Nicolau Coelho, escolhido por Cabral para estabelecer contato com os indígenas assim que a armada fundeou, fez-lhes sinal para que pousassem as armas, no que foi obedecido. Não pôde haver entendimento por fala, mas foram efetuados os primeiros contatos por via gestual. Houve troca de presentes, recebendo os ameríndios barretes vermelhos, uma carapuça de linho e sombreiro preto; em troca deram aos portugueses um sombreiro de penas vermelhas e pardas, bem como um colar de contas miúdas, que foram levados para bordo e posteriormente enviados a D. Manuel.

Os primeiros portugueses que chegaram ao Brasil, mantiveram um contato amistoso com os índios, pois precisavam deles para trabalhar na extração do pau-brasil e para defender o litoral dos contrabandistas, principalmente franceses.

Mas, com o aumento do número de portugueses, as relações do branco com o índio foram se tornando críticas, os índios reagiram porque os portugueses roubavam-lhes as terras, atacavam suas mulheres, tiravam-lhes a liberdade e transmitiam-lhes doenças, algumas vezes causando a morte de todos os habitantes de uma aldeia.

Apesar da resistência, milhares de índios foram escravizados no período colonial pelos portugueses, que usavam armas de fogo para dominar as populações indígenas. Nessa época, os portugueses escravizaram os índios para forçá-los a trabalhar na lavoura canavieira e na coleta de cacau nativo, baunilha, guaraná, pimenta, cravo, castanha-do-pará e madeiras, entre outras atividades.

Não foi apenas no Brasil que os portugueses mataram índios. Também na África e na Ásia eles foram responsáveis pela morte de milhares de seres humanos.

Dos aproximadamente 4 milhões de índios que habitavam o Brasil na época da chegada de Cabral, restam hoje mais ou menos 200 mil, sobrevivendo em condições precárias e sob constante ameaça, principalmente dos garimpeiros e exploradores de terras.

PELA COSTA AFRICANA
A expansão portuguesa começou em 1415, com a tomada de Ceuta, importante centrocomercial dominado pelos muçulmanos no norte da África.

Em seguida, Portugal ocupou as ilhas de Madeira, Açores e Cabo Verde, no oceano Atlântico.
Aí, a colônia portuguesa realizou uma experiência de colonização, implantando o cultivo de cana-de-açúcar. Essa experiência serviria mais tarde de modelo para a ocupação das terras americanas.
A expansão estendeu-se ao longo do litoral africano, onde os portugueses obtinham produtos como pimenta, ouro e marfim.


Lembramos da história da áfrica, apenas como um continente explorado, pelo comércio de pessoas desalmadas, e que eram tratadas até como criaturas divinas, mas esquecemos de uma civilização rica em cultura, em línguas em costumes, em culinárias, organização social e política, que influencia e está presente na nossa cultura, de uma troca de escravos que vieram e alguns que voltaram e permitiram de certa forma uma globalização de mercado entre o triângulo da navegação, Brasil – África e Inglaterra – Portugal e Espanha.

INTERCÂMBIOS ENTRE A ÁFRICA E A EUROPA
Mesmo antes das Grandes Navegações européias, o continente africano já era conhecido pelos europeus, principalmente a parte que hoje chamamos de "África Branca". Os primeiros contatos entre cristãos e negros ocorreram por intermédio dos muçulmanos, que realizavam trocas de mercancia entre os dois "povos".

Com as navegações, que têm Portugal como o seu pioneiro, a África Negra que até então mantinha contato com o resto do mundo por meio dos muçulmanos, tem seu isolamento rompido e passa a constituir uma importante praça de trocas, onde o principal produto exportado eram os africanos. É importante lembrar que essas trocas que consistiam principalmente em ferro, pano, aguardente, cavalos e armas acabaram se tornando de extrema importância para o continente africano.
Desde 1440, o comércio de escravos já era visto como bem lucrativo para os portugueses, sendo que em 1448 se estabelece em Arguin um "comércio regular" que consistia na troca de bens contra humanos.Em 1474, Portugal tem o monopólio sobre o tráfico de escravos.
Como podemos observar, antes mesmo da descoberta do Novo Mundo a escravidão africana já era muito conhecida e utilizada na Europa, bem como já se encontrava vinculada à expectativa de se obter uma produção em larga escala de certas colheitas úteis.


POVOS AMERINDÍOS
Índio, indígena ou nativo americano são nomes dados aos habitantes humanos da América antes da chegada dos europeus, e os seus descendentes atuais.
O termo "índio" vem do fato de que Cristóvão Colombo, quando chegou à América, estava convencido de que tinha chegado à Índia Por essa razão também, ainda hoje se refere às ilhas do Caribe como Índias Ocidentais.

Mais tarde, estes povos foram considerados uma raça distinta e também foram apelidados de peles vermelhas.
O termo ameríndio é usado para designar os nativos do continente americano, em substituição às palavras "índios", "indígenas" e outras consideradas preconceituosas.

CRISTOVÃO COLOMBO

Navegador italiano (1451-21/5/1506). Nasce em Gênova e, desde cedo, decide dedicar-se à navegação. Em 1476, seu navio naufraga na costa portuguesa e ele se salva a nado, estabelecendo-se em Lisboa, onde se casa com a filha de um navegador.

Convencido da esfericidade da Terra, propõe à Coroa portuguesa chegar às Índias viajando rumo ao Ocidente.
Como a proposta é recusada, em 1485 dirige-se à Espanha e oferece seu projeto aos reis Fernando e Isabel, que aceitam patrocinar a viagem.
Parte em 3 de agosto de 1492 com as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña e em 12 de outubro chega ao arquipélago das Bahamas.

Sem se dar conta que havia aportado em um novo continente, depois chamado de América, acredita ter alcançado as Índias. Chega, a seguir, às ilhas de Cuba e de Hispaniola (atualmente o Haiti e a República Dominicana). Um ano depois retorna à Espanha, onde é acolhido triunfalmente e nomeado vice-rei da nova colônia.
Faz mais três viagens à América, em 1493, 1496 e 1498.

Interação entre os europeus e os nativos americanos
Apesar de os vikings, ou nórdicos, aparentemente. terem explorado e estabelecido bases nas costas da América do Norte a partir do século X e terem aí deixado marcas, como a runa de Kensington, estes exploradores aparentemente não colonizaram a América, limitando-se a tentar controlar o comércio de peles de animais e outras mercadorias da região.

Runa de Kensington :
"(Nós somos) 8 godos [suecos] e 22 noruegueses em (uma) viagem de exploração de Vinland através do Oeste. Tínhamos acampado junto de (um lago com) dois skerries [ilhas rochosas] a um dia de jornada para o norte a partir desta pedra. Andamos (por fora) e pescamos um dia. Depois de voltarmos ao acampamento encontramos 10 (dos nossos), AV(e) M (aria) salvai (nos) do mal. Dez do (nosso grupo) (estão) perto do mar olhando por nossos navios [ou navio] a 14 dias de viagem desta ilha. Ano 1362."


Por outro lado, a colonização européia das Américas mudou radicalmente as vidas e culturas dos nativos americanos. Entre os séculos XV e XIX, estes povos viram as suas populações devastadas pelas privações da perda das suas terras e animais, por doenças e, em muitos casos por guerra. O primeiro grupo de nativos americanos encontrado por Cristóvão Colombo, estimado em 250 mil aruaques do Haiti, foram violentamente escravizados e apenas 500 tinham sobrevivido no ano 1550; o grupo foi extinto antes de 1650.

No século XV, os espanhóis e outros europeus trouxeram cavalos para as Américas e alguns destes animais escaparam e começaram a reproduzir-se livremente. Ironicamente, o cavalo tinha originalmente evoluído nas Américas, mas extinguiu-se na última idade do gelo. A re-introdução do cavalo teve um profundo impacto nos nativos americanos das Grandes Planícies da América do Norte, permitindo-lhes expandir os seus territórios, trocar produtos com tribos vizinhas e caçar com mais eficiência.

Os europeus também trouxeram com eles doenças contra as quais os nativos americanos não tinham imunidade, tais como a varicela e a varíola que, muitas vezes são fatais para estas pessoas. É difícil estimar a percentagem de nativos americanos mortos por estas doenças, mas alguns historiadores estimam que cerca de 80% da população de algumas tribos foi extinta pelas doenças européias.

CAUSAS DAS NAVEGAÇÕES
Inicialmente os europeus comerciavam com o Oriente pelo Mediterrâneo. As mercadorias orientais mais procuradas eram as drogas e as especiarias da Índia (pimenta, cravo e canela), os tecidos da Pérsia e os objetos de porcelana fabricados na China.


Outra causa foi o desenvolvimento da arte da navegação verificado nessa época, que é a do início da Idade Moderna: tornara-se conhecida na Europa a bússola, inventada pelos chineses e que serve para a orientação; foi inventado o astrolábio, destinado a indicar a latitude, dando a posição do navio em qualquer parte do mundo e, finalmente, surgiu ura novo tipo de barco, a caravela, leve e rápida, própria para’ longas viagens. Ainda nessa ocasião inventou-se a vela triangular ou latina, com a qual se podia navegar com o vento em qualquer direção.


Também como causa importante das navegações cita-se o sentimento religioso: os soberanos dos países da Europa queriam converter os povos do Oriente e ordenavam aos sacerdores que seguissem nas expedições. É por isso que a esquadra de Cabral conduzia vários frades franciscanos; um deles, frei Henrique Soares, de Coimbra, rezou no Brasil as duas primeiras missas


O que é Globalização?


É a interligação do mundo. No século XX, surgiram novas tecnologias, como a internet que permite a troca rápida de informações entre pessoas de todas as partes do planeta. O que acontece na globalização é a invasão de mercadorias, serviços, tecnologias, pessoas, etc., de várias partes do mundo em diversos lugares e vise e versa.


Esse processo atual de globalização nada mais é do que a mais recente fase da expansão capitalista. Tal expansão visa aumentar os mercados e, portanto, os lucros, que é o que de fato move os capitais, produtivos ou especulativos, na arena do mercado. As guerras que sempre foram de caráter bélico, na idade contemporânea é cada vez mais econômica e o campo de batalha é o mercado mundial, altamente globalizado. A invasão atual muitas vezes se dá instantaneamente, on-line, via redes mundiais de computadores.

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